Alô alô
Quando comecei a trabalhar como educadora houve pessoas que transmitiram a ideia que eu era muito branda com os miúdos (talvez por eu achar desnecessário "castigar" uma criança tão pequena por muito tempo ou talvez por em brincadeiras me confundirem com eles, não sei, nunca entendi). A verdade é que eu (novata) inconsciente, por vezes, abandonei os meus ideais para ser educadora levada a sério. E esse foi o pior erro da minha vida como educadora. Nunca devemos abandonar quem somos e quem queremos ser só para agradar os outros (que vão continuar a dizer mal de nós se assim o quiserem).
Sempre disse que nunca ia forçar uma criança a comer o segundo. Uma criança que coma um bom prato de sopa pode não ter grande apetite para o segundo.
Mas... ia forçado... a única criança que ainda não tinha acabado não queria mais batata quando me viu a dar a banana aos outros. "não tens fome para uma coisa não tens fome para outra" e arrumei a banana dele. Até aqui tudo bem. Ela estava a fazer birra é diferente de não ter apetite.
Acabamos por fazer um acordo, se comesse a batata, eu dava lhe a banana e a criança lá começou a comer as batatas. Deixou apenas apenas a quantidade suficiente para encher uma colher de sobremesa. "Bolas é só um bocadinho tinhas de voltar a fazer essa birra outra vez, ja estamos atrasados." Nesse momento o meu lado pior consumia-me. Tentei lhe forçar a comer o resto, não podia ser "branda" com ela. Não podia... Mas parei e assim que paro a criança tira com as mãos a única batata que lhe dei da boca. Eu fiquei furiosa ia para voltar a enfiar lhe a batata na boca até que percebi que a criança já nem estava interessada na banana e que eu estava a ser completamente anormal e a fazer tudo o contrário do que acreditava.
Tirei lhe o prato. Não lhe dei banana (era a minha pequena Vitória, eu sei, ainda estava de cabeça quente) mas ele também não a pediu. Estava realmente cheio, percebi eu.
Nessa mesma noite fui jantar num restaurante. Já estava farta de arroz e deixei o suficiente para apenas encher uma colher de sopa. Mas eu estava farta de arroz. Não fui eu que meti tanto arroz. Não me apetecia mais.. mas apetecia me uma sobremesa... hm a minha favorita....
Mas não comi "não tens fome para uma coisa nao tens fome para outra" . Talvez o meu menino dos olhos grandes já tivesse farto de batatas. Talvez nao tivesse sido ele a servisse... Talvez a banana era a sua sobremesa favorita (ainda não come doces)... o problema é que não era talvez... eu tive a certeza... e por respeito a ele nao comi (apesar de ele não sabe, mas porque me magoa quando sou injusta com eles e ate lhes costumo pedir desculpa)...
Acho que nunca mais vou fazer uma birra tao infeliz! A birra do educador que tem de ficar sempre por cima.
Moral da história: nunca faças a uma criança o que não gostas que te façam. O respeito deve ser mútuo.
Prometo que me vou portar melhor para a próxima.
Quando comecei a trabalhar como educadora houve pessoas que transmitiram a ideia que eu era muito branda com os miúdos (talvez por eu achar desnecessário "castigar" uma criança tão pequena por muito tempo ou talvez por em brincadeiras me confundirem com eles, não sei, nunca entendi). A verdade é que eu (novata) inconsciente, por vezes, abandonei os meus ideais para ser educadora levada a sério. E esse foi o pior erro da minha vida como educadora. Nunca devemos abandonar quem somos e quem queremos ser só para agradar os outros (que vão continuar a dizer mal de nós se assim o quiserem).
Sempre disse que nunca ia forçar uma criança a comer o segundo. Uma criança que coma um bom prato de sopa pode não ter grande apetite para o segundo.
Mas... ia forçado... a única criança que ainda não tinha acabado não queria mais batata quando me viu a dar a banana aos outros. "não tens fome para uma coisa não tens fome para outra" e arrumei a banana dele. Até aqui tudo bem. Ela estava a fazer birra é diferente de não ter apetite.
Acabamos por fazer um acordo, se comesse a batata, eu dava lhe a banana e a criança lá começou a comer as batatas. Deixou apenas apenas a quantidade suficiente para encher uma colher de sobremesa. "Bolas é só um bocadinho tinhas de voltar a fazer essa birra outra vez, ja estamos atrasados." Nesse momento o meu lado pior consumia-me. Tentei lhe forçar a comer o resto, não podia ser "branda" com ela. Não podia... Mas parei e assim que paro a criança tira com as mãos a única batata que lhe dei da boca. Eu fiquei furiosa ia para voltar a enfiar lhe a batata na boca até que percebi que a criança já nem estava interessada na banana e que eu estava a ser completamente anormal e a fazer tudo o contrário do que acreditava.
Tirei lhe o prato. Não lhe dei banana (era a minha pequena Vitória, eu sei, ainda estava de cabeça quente) mas ele também não a pediu. Estava realmente cheio, percebi eu.
Nessa mesma noite fui jantar num restaurante. Já estava farta de arroz e deixei o suficiente para apenas encher uma colher de sopa. Mas eu estava farta de arroz. Não fui eu que meti tanto arroz. Não me apetecia mais.. mas apetecia me uma sobremesa... hm a minha favorita....
Mas não comi "não tens fome para uma coisa nao tens fome para outra" . Talvez o meu menino dos olhos grandes já tivesse farto de batatas. Talvez nao tivesse sido ele a servisse... Talvez a banana era a sua sobremesa favorita (ainda não come doces)... o problema é que não era talvez... eu tive a certeza... e por respeito a ele nao comi (apesar de ele não sabe, mas porque me magoa quando sou injusta com eles e ate lhes costumo pedir desculpa)...
Acho que nunca mais vou fazer uma birra tao infeliz! A birra do educador que tem de ficar sempre por cima.
Moral da história: nunca faças a uma criança o que não gostas que te façam. O respeito deve ser mútuo.
Prometo que me vou portar melhor para a próxima.
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