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Matadouro de bebés

Dia de ir ao matadouro - 27_12_2019 Então meu bebé como é o céu? Tratam te bem? Não dormi nada na noite passada. Ainda menos do que nas outras.  Passaram 3 dias desde que descobri que estavas morto. Sentia me a Rose do Titanic. Olhava para o tecto e dizia ao teu pai que a culpa de não conseguir dormir era da falta de estrelas no tecto. Estava a morrer de medo. As mães também têm medo. O teu pai acabou por adormecer, obrigado por o teres adormecido, alguém que seja responsável nesta casa. Chegamos a Coimbra às 8.30. Entramos numa maternidade onde nascem bebés para tirar um bebé morto da barriga. Ficamos à espera do teu médico e fomos recebidos por uma enfermeira muito arrogante e eu disse para o teu pai "não leves a mal, sabes ela está assim porque perdeu um bebé e tem de estar aqui'' passei o dia a fazer piadas destas para a angústia ser menor. O médico atrasou se quase uma hora, meteu me 4 comprimidos na vagina para tu saíres. Estava a fazer o mesmo processo que ...
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Carta para o meu filho

Sempre falei da morte sem tabus talvez porque até agora não tinha  vivenciado de perto. Sempre achei que isso me iria preparar para qualquer tipo de morte mas nunca se está preparado para a morte de um filho. Muito menos agora, que pensávamos que estavas no caminho certo para vir conhecer o mundo. Descobri que estavas morto dentro de mim no dia que fazias 11 semanas. 24 de Dezembro, dia do nascimento do filho de Deus, irónico não? O meu corpo já te tinha rejeitado à quase duas semanas nunca tinha dado sinais e eu não podia fazer nada.  Juro filho não podia. Foram precisos 2 hospitais e 4 médicos para eu ter a certeza que não estavas só a dormir. Acredita em mim filho não havia nada a fazer. E não ha explicação para o que aconteceu. A última vez que te vi (poucos dias antes do que te aconteceu), o teu coração batia tão forte e a tua cabeça já era tão perfeitinha e a placenta estava bem segura ( e esteve sempre nem saiu sozinha depois disto), nada justificava, nada filho, ju...

Autonomia em primeiro lugar..

Li um post no Facebook bastante interessante que me deu coragem de escrever sobre um tema que me da orgulho no coração. A autonomia da criança. A frase era mais ou menos esta "se ensinamos às crianças que o diferente é normal não seria preciso trabalhar a inclusão."  Parece que não tem nada haver mas tem tudo. Vamos já perceber porquê. Cada educadora/instituição tem o seu método de ensino. E eu,como tenho liberdade para tal vou tirando o que acho melhor de cada metodo mas confesso que sou mais apaixonada pelo método Montessori. As minhas crianças tem em média um ano e meio e comem sozinhas (apenas duas eu ajudo a segurar a colher na sopa mas a mao delas por baixo da minha, no segundo fazem completamente sozinhas, como quiserem). Desde Setembro que aos mais "velhos" meti lhes o prato à frente e "desenrasquem se". Não é preguiçosa minha. Limpar sopas e mudar roupas  demora mais tempo acreditem!!! Mas criar espaço para que a criança desenvolva a autonomi...

Posso ficar contigo para sempre?

(Desculpem hoje não vou falar convosco vou falar com eles, eles todos desde o meu estágio escolar até ao dia de hoje, vocês podem ler claro) Posso ficar contigo para sempre? Tenho tantas saudades M., nem imaginas o quanto! És a minha irmã mais pequena, pode ser? Vamos fingir que sim. Falei tanto dde ti cá em casa que acho que até a minha irmã achou que eras nossa irmã de verdade. Tenho mesmo saudades tuas, nunca encontrei ninguém com quem tivesse tanta cumplicidade sem dizeres quase nenhuma palavra. Eu gostei mesmo de ti a sério! Como estás hoje M? Feliz? (Nosso jogo esconde esconde adaptado). Amar-te-ei sempre. Foste a primeira! Agora fica eu vou te contar que são os meus novos amigos.  M.M., a miúda mais inteligente e carinhosa que já conheci, tudo era feito nas calmas. Deste me tanta força meu amor, preferia ter morrido naquele dia... tu sabes... e tu... tinhas 5 anos, super autónoma e a pedires me colo como quem diz "ficaaa eu preciso de ti" . Queria ter ficado c...

Batatas.... batatas... e mais batatas

Alô alô Quando comecei a trabalhar como educadora houve pessoas que transmitiram a ideia que eu era muito branda com os miúdos (talvez por eu achar desnecessário "castigar" uma criança tão pequena por muito tempo ou talvez por em brincadeiras me confundirem com eles, não sei, nunca entendi). A verdade é que eu (novata) inconsciente, por vezes, abandonei os meus ideais para ser educadora levada a sério. E esse foi o pior erro da minha vida como educadora. Nunca devemos abandonar quem somos e quem queremos ser só para agradar os outros (que vão continuar a dizer mal de nós se assim o quiserem). Sempre disse que nunca ia forçar uma criança a comer o segundo. Uma criança que coma um bom prato de sopa pode não ter grande apetite para o segundo.  Mas... ia forçado... a única  criança que ainda não tinha acabado  não queria mais batata quando me viu a dar a banana aos outros.  "não tens fome para uma coisa não tens fome para outra" e arrumei a banana dele. Até aqui t...

Uma educadora que muda fraldas!

Como estão? Hoje em dia, já há muitas educadoras que mudam fraldas, já não é novidade. Pelo menos não deveria ser. Ouvi muitas vezes expressões de admiração ou comentários como se fosse um trabalho "obrigatório" da auxiliar. Mas eu mudo fraldas. Sempre que consigo. E faço questão de ser eu a mudá-las sempre que é possível.  Sim eu gosto de mudar fraldas! Apesar do cheio desagradável (porque não é agradável) é um dos poucos momentos do de "filho" único que tenho com elas, sou só eu e ele/a, sem mais nenhuma criança é o momento dele/a.. Só dele/a, só nosso, a sós. Quando estamos com tempo até faço disso um momento de atividade e não só de cuidado, "Onde está a barriga? E as pernas?", "como faz o leão? E o gato" "que é isto? Tens coco? Não tens?" ... Tanta coisa pode ser trabalhada no momento da muda de fralda. Até o medo das alturas... mas principalmente a relação afetiva entre mim e os meus olhos brilhantes. Mudar a fralda é uma ativ...

A minha bata nunca tem botões

 Olá de novo Já tive várias batas nestes poucos anos de experiência (de substituições ) e nunca consigo ter os botões todos, mesmo quando a bata é acabada de estrear (e já passei por três sítios por isso a culpa não é das batas). Mas as minhas batas nunca tem botões. Nem botões nem bolsos. Porque por onde passa os bolsos são demasiado pequenos para tamanho afeto. O colo é demasiado usado que não há espaço para botões! Na minha sala pode faltar tudo menos afeto. Seja que sala for. Seja em que creche for. Nunca falta afeto. Nunca sabemos das meias, dos laços dos sapatos e das chupetas porque estivemos a brincar. Sim, eu também porque quando eu me junto piora um pouco. Largam as chupetas e os dudus enfiam se entre os espaços da bata e cai lhes os sapatos (e a mim um botão) e como o bolso é invadido por mais um sapato perco as coisas que guardei nele. Mas não faz mal. Pelo menos para nós (lá está a novata a sentar se no chão e a falar como se fosse um deles nunca tal se viu, nem par...