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Carta para o meu filho



Sempre falei da morte sem tabus talvez porque até agora não tinha  vivenciado de perto. Sempre achei que isso me iria preparar para qualquer tipo de morte mas nunca se está preparado para a morte de um filho. Muito menos agora, que pensávamos que estavas no caminho certo para vir conhecer o mundo.
Descobri que estavas morto dentro de mim
no dia que fazias 11 semanas. 24 de Dezembro, dia do nascimento do filho de Deus, irónico não? O meu corpo já te tinha rejeitado à quase duas semanas nunca tinha dado sinais e eu não podia fazer nada.  Juro filho não podia. Foram precisos 2 hospitais e 4 médicos para eu ter a certeza que não estavas só a dormir. Acredita em mim filho não havia nada a fazer. E não ha explicação para o que aconteceu. A última vez que te vi (poucos dias antes do que te aconteceu), o teu coração batia tão forte e a tua cabeça já era tão perfeitinha e a placenta estava bem segura ( e esteve sempre nem saiu sozinha depois disto), nada justificava, nada filho, juro. A mãe e o pai são saudáveis, sangue positivo e não fumadora entre essas coisas todas que não temos e que justificariam o que aconteceu. Fizemos tudo certinho como o médico mandou, juro te. O papá foi sempre o melhor do mundo e mesmo sabendo que supostamente estava tudo bem não me deixava fazer esforços desnecessários, estivemos sempre juntos a ver te a sentir te e até a fazer as análises que o médico mandava. Não queríamos que nada te acontecesse. Ele beijava te todos os dias e eu acarinhava te mesmo sabendo que não sentias porque eras muito pequeno. Eras tãoooo desejado por nós e por toda a tua família direta. Não poderíamos estar mais felizes por te ter. Juro filho.
Os médicos não sabem explicar o que aconteceu só Deus sabe porque te deixou dentro de mim sem vida e porque te levou. Dizem que os anjos vão sempre mais cedo. Devias de ser mesmo especial para Deus ser tão egoísta e quer ficar contigo para ele. Vou te amar para sempre embora nunca te tenha visto. Senti te tanto sem te sentir e nada na minha vida foi tão duro do que saber que te perdi e continuar com barriguinha e tudo o que é próprio de grávida, saber que estás lá dentro morto e que te tenho de tirar de mim desta forma. Saber que depois disto vou ter de enfrentar a vida e cuidar dos filhos de outras mães como se nada tivesse acontecido.
Mas filho mesmo que pareça que te esqueci é impossível. 
Obrigada. Obrigada. obrigada por me teres escolhido. Fui tão feliz quando te tive e sou muito grata por te ter tido. Amo te filho. Um dia vou te conhecer lá no céu meu pequeno M.

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